AGRUPAMENTO DE ESCOLAS PEDRÓGÃO GRANDE

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História do Agrupamento

História do Agrupamento
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A NOSSA HISTÓRIA: DO PASSADO AO PRESENTE DO AGRUPAMENTO

A história do concelho de Pedrógão Grande confunde-se com as próprias raízes da identidade local, marcada por tradições, lendas e factos históricos que remontam à formação de Portugal. Referências a antigos “Petrónios” cruzam-se com acontecimentos documentados, como a reconstrução da vila por D. Afonso Henriques em 1176 e a atribuição do primeiro foral em 1206, marcos que consolidaram a sua importância no território.

Embora a educação formal tenha conhecido o seu grande impulso apenas no século XX, as suas bases remontam a períodos muito anteriores. Em 1789, por provisão da D. Maria I, foi criada a Escola de Latim, que funcionou até 1863, evidenciando já uma preocupação com a instrução. Ao longo do século XIX, este esforço foi reforçado com a criação de novas escolas, nomeadamente a Escola Oficial de Vila Facaia (1870) e a escola de Altardo (1879), bem como iniciativas de caráter associativo e educativo, como o Centro Escolar Democrático José Jacinto, surgido ainda antes da implantação da República.

A FUNDAÇÃO DA ESCOLA PREPARATÓRIA

Até às décadas de 1960 e 1970, Portugal apresentava ainda elevados níveis de analfabetismo, realidade que também se fazia sentir em Pedrógão Grande. Em 1968, a oferta educativa era bastante limitada: não existia ensino pré-escolar e havia apenas dois edifícios escolares com quatro salas de aula.

Com as mudanças sociais e políticas que se começaram a desenhar no final do regime, assistiu-se a um esforço de expansão da rede escolar, sobretudo nas regiões do interior. Antes da criação de uma escola preparatória, o ensino complementar (6.ª classe) funcionava na Escola da Devesa. Este contexto levou à inauguração, a 8 de outubro de 1973, da Escola Preparatória Miguel Leitão de Andrada, um marco determinante para a educação no concelho.

No seu primeiro ano letivo (1973/74), a escola acolhia cerca de 140 alunos, distribuídos por quatro turmas, funcionando igualmente em regime noturno para adultos — uma resposta importante à necessidade de qualificação da população. O corpo docente era constituído por professores do ensino primário e por colaboradores convidados, refletindo uma fase de transição no sistema educativo. Destacam-se, neste percurso, figuras marcantes do ensino local, como Eulália Marques, António Amaro e Ilídio Marreca, cuja dedicação deixou uma forte marca na comunidade.

 

DEMOCRATIZAÇÃO E EXPANSÃO DO ENSINO

A Revolução de Abril de 1974 representou um ponto de viragem na sociedade portuguesa e, naturalmente, no sistema educativo. A escola assumiu, então, um papel central na democratização do acesso à educação.

Em maio de 1975, tomou posse uma nova direção democraticamente eleita, que impulsionou mudanças significativas: modernização das práticas pedagógicas, criação de melhores condições para os alunos — como a abertura de um refeitório — e promoção da continuidade dos estudos. No ano letivo de 1975/76, foi autorizada a abertura do 7.º ano do Ensino Unificado, alargando a oferta formativa.

Durante as décadas seguintes, especialmente nos anos 80, a escola consolidou o seu papel educativo, contando com o empenho de professores que marcaram gerações, como Palmira Godinho e José Geirinhas, contribuindo para a formação académica e cívica de muitos jovens.

A NOVA ESCOLA E O ENSINO SECUNDÁRIO

Um dos momentos mais significativos da história recente ocorreu no ano letivo de 1994/95, com a inauguração do novo edifício da Escola C+S Miguel Leitão de Andrada. Esta nova infraestrutura permitiu uma melhoria substancial das condições de ensino e trouxe uma conquista importante: a abertura do ensino secundário no concelho.

Pela primeira vez, os alunos de Pedrógão Grande puderam concluir a sua escolaridade obrigatória e prosseguir estudos secundários sem necessidade de deslocação para outras localidades. Apesar de o ensino secundário ter encerrado cerca de uma década depois, devido à diminuição do número de alunos — reflexo das transformações demográficas do interior do país —, este período foi determinante para o percurso académico de muitos jovens, tendo possibilitado o acesso ao ensino superior.

A CRIAÇÃO DO AGRUPAMENTO E O LEGADO EDUCATIVO

No início do século XXI, a reorganização da rede escolar levou à criação dos agrupamentos de escolas. Assim, no ano letivo de 2000/2001, foi constituído o Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande, integrando a então EB 2/3/S Miguel Leitão de Andrada e os restantes estabelecimentos de ensino do concelho. A primeira Comissão Executiva tomou posse a 11 de julho de 2001.

Este novo modelo organizacional teve como objetivo promover uma maior articulação entre os diferentes níveis de ensino, reforçar a coesão educativa e valorizar o papel de todos os docentes, incluindo os do ensino pré-escolar e do 1.º ciclo, incentivando a sua participação ativa na vida do agrupamento.

Hoje, o Agrupamento continua a evoluir, adaptando-se aos desafios contemporâneos da educação, sem esquecer o seu passado. Parte significativa dessa memória encontra-se preservada no Museu Escolar, inaugurado a 18 de novembro de 2017, onde se reúnem objetos, documentos e materiais pedagógicos das antigas escolas do concelho. Este espaço constitui um testemunho vivo da história da educação local e uma homenagem a todos aqueles que contribuíram para a formação de gerações.

Fiel às suas raízes, o Agrupamento de Escolas de Pedrógão Grande mantém o compromisso de promover uma educação de qualidade, inclusiva e orientada para o futuro, ao serviço da comunidade.